Recebi, via Email este texto Tradução e adaptação Hannelore Bürstmayr Grün wie die Regenzeit
Mödling, Verlag St. Gabriel, 1986.
Carlos é uma das cerca de quarenta milhões de crianças que, por não terem lar, vivem abandonadas à sua sorte nas ruas das cidades latino-americanas. Muitas delas ainda têm pais, mas estes são tão pobres que não podem tomar conta dos filhos. Há cinco anos que Carlos ganha o sustento como engraxador de sapatos. Não estava a ser fácil sobreviver.
O meu maior problema é dormir. Não é nada fácil encontrar um lugar seguro onde não seja incomodado. Eu não quero juntar-me a nenhum bando e começar a roubar. Isso não é futuro. Mas como não estou em nenhum bando, também não tenho ninguém que me proteja. Às vezes é horrível não ter ninguém no mundo que goste de mim. É preciso ser-se muito forte para aguentar.
Há dias em que tenho a impressão de que toda a gente me detesta. Olham-me, furiosas, quando pergunto: "Quer engraxar os sapatos?" Outras insultam-me porque estou sujo. Mas já me habituei a ser insultado só por ser pobre.
A vida na rua é difícil. Quando comecei a trabalhar, havia rapazes mais velhos e mais fortes que me tiravam o dinheiro todo e até me batiam. Os polícias também me bateram várias vezes. Uma vez, meteram-me num lar, mas era como estar numa prisão. Ao fim de algumas semanas, fugi.
A maioria das pessoas não fala comigo quando me manda engraxar os sapatos. Lê o jornal ou olha em frente. Mas também há quem me diga: Dá-te por feliz por poderes viver em liberdade, por ninguém te dar ordens, ou coisas parecidas. Isto põe-me furioso. É liberdade ter fome? É liberdade não poder ir à escola por ter de trabalhar? É liberdade não poder aprender uma profissão e ser talvez condenado a passar a minha vida inteira na rua?
Realmente é um retrato muito triste do nosso futuro, principalmente de ver crianças a trabalhar para sobreviver. Crianças que deveriam ter um lar... é triste e revolta-me profundamente. Sou catolica, mas nestes casos e em muitos outros pergunto: "Onde está Aquele que dizem que é o nosso Salvador?"
Um grande beijinho.
De
Secreta a 7 de Novembro de 2007 às 14:02
Esta é uma das situações em que apetece fazer uma pergunta ... É realmente verdade que quem cria um filho cria dois ? Ou quem cria dois também cria três ?
Revolta-me imenso , ver crianças assim , a sofrer e sem conseguirem vislumbrar uma vida algo melhor ...
Uns tanto e outros nada, é sempre a mesma coisa que se vê por esse mundo fora e que nos fere as consciências sempre que nos apercebemos de todos esses estados lastimáveis de pobreza e miséria. É um mundo de tanta injustiça social, mundo esse que é também constituído por excessos e extremos extravagantes e excêntricos sem solução à vista. Na verdade, se pensarmos bem, será que algum de nós é de facto livre?
De Ver para crer a 7 de Novembro de 2007 às 17:51
Que reconhecidos devemos estar a nossos pais por nos terem acolhido com amor.
Sem eles seríamos uns condenados à desgraça...
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