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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

António Lobo Antunes

Li no Jornal Diário de Notícias e também em vários blogs, pois merece a leitura como tal também divulgo trecho dessa entervista, que poderão ler na íntegra Aqui
Bom fim de semana!
 

Como contrariar a morte?
Ela corre mais depressa do que qualquer um de nós e a única coisa que posso fazer para contrariar é escrever, a única duração que posso ter é a que os livros tiverem. E aborrece-me que seja assim, é injusto que seja assim, embora haja momentos em que todos nós desejamos morrer, de desânimo e solidão. Há momentos em que quase temos inveja dos mortos porque a vida nem sempre é agradável e fácil mas, agora depois de ver as pessoas lutarem no hospital, senti que muitos pensamentos que tinha eram indignos perante tanta grandeza.

 

Isso alterou a sua forma de ser?
Eu agora jogo com as cartas para cima, está tudo à vista porque é a única maneira de viver. Demorei anos a perceber porque o conhecimento da vida chega sempre tarde e pensamos que ocultando conseguimos dar boa imagem aos outros. Agora é: eu sou assim! Peguem, larguem, não posso ser amado pelo mundo inteiro embora a sede de amor seja inextinguível.

 

 

Qual é a sua atitude perante Deus?
Existe um velho provérbio húngaro que diz que na cova do lobo não há ateus, por isso julgo que não existe quem não acredite. O nada não existe na física ou na biologia e quando se lêem os grandes físicos entende-se como eram homens profundamente crentes, que chegaram a Deus através da física e da matemática e que falavam de Deus de uma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso, cada vez mais, não no sentido desta ou daquela igreja mas porque me parece que a ideia de Deus é óbvia. Cada vez mais o é para mim. É um bocado como diz Einstein, quando afirma que Deus não joga aos dados.

 

 

Como é essa relação?
É claro que me zango com Deus porque permite o sofrimento, mas talvez os seus desígnios tenham tais profundezas que não atinjo. O sofrimento sempre me foi incompreensível porque nascemos para a alegria. A minha atitude em relação à religião é essa, não estou a falar de igrejas, estou a falar em relação a Deus e não acredito quando as pessoas dizem que são agnósticas ou ateias. Não estou a dizer que a pessoa não esteja a ser sincera, mas dentro dela e em qualquer ponto há algo… Uma vez perguntaram ao Hemingway se acreditava em Deus e a resposta foi às vezes, à noite.

 

 

Então à noite também acredita?
Acredito sempre mas a dúvida e pôr constantemente em questão é próprio da fé. Muitas vezes pergunto-me será que existe? É óbvio que sim.

 

Recentemente foram reveladas as dúvidas de madre Teresa sobre a sua própria fé…
Todos os teólogos as tiveram, Sto. Ambrósio dizia "não busco compreender para crer, creio para compreender"; Sto. Agostinho esteve cheio de dúvidas toda a vida e o Sto. António… O mesmo se passa em relação aos livros, pergunto-me será que isto está bem feito? Não é esta palavra ainda, será que é possível fazer aquilo que eu quero fazer ou será demasiado ambicioso?


by pdivulg às 00:46
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5 comentários:
De vilma a 19 de Outubro de 2007 às 09:30
"Existe um velho provérbio húngaro que diz que na cova do lobo não há ateus, por isso julgo que não existe quem não acredite."
Também penso assim.


De Joana a 19 de Outubro de 2007 às 15:09
Se soubesse tinha passado aqui antes de escrever no meu blog...

Gostei daquilo que li... As palavras encheram-me um pouco...

Quanto à última parte... Relativa às dúvidas da Madre Teresa... Quando se diz... "Todos os teólogos as tiveram"... Eu... Como futura teóloga digo... Não as teremos constantemente???
A resposta à minha própria pergunta... (minha opinião pessoal)... É que temos grandes dúvidas quer no sofrimento que temos, quer no sofrimento que vemos nos outros... Mas logo após estes pensamentos... Aparece a luz de Deus... Que nos faz crer com toda a força...
Quantas vezes o nosso sofrimento não é somente culpa do Homem???


De Secreta a 19 de Outubro de 2007 às 16:09
Bom fim de semana :)


De marlenemaravilha a 20 de Outubro de 2007 às 15:40
Taí, gostei muito do que li. Ainda bem que somos todos iguais. Faco minhas as palavras da Vilma!
Um lindo final de semana.
bjo


De Nylda a 21 de Outubro de 2007 às 22:06
Não quero ser uma coisa nova na tua vida,
nem desaparecer quando amanhecer o dia.
Quero apenas dobrar a esquina do teu mundo
e ter a sensação de que nunca fui embora...
Conservando para sempre a nosso Amizade!
Uma linda e feliz semana para ti.
Beijos e um sorriso.

(`“•.¸(`“•.¸ ¸.•“´) ¸.•“´)
«`“•.¸.♥ Nylda ♥ ¸.•“´»
(¸.•“´(¸.•“´ `“•.¸)`“ •.¸)


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